IMPACTOS FÍSICOS E PSICOSSOCIAIS EM MULHERES PÓS-MASTECTOMIA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.53843/bms.v10i14.529Palavras-chave:
Mastectomia, Reabilitação, PsicologiaResumo
INTRODUÇÃO: A mastectomia é um procedimento voltado para o controle local da neoplasia, todavia, a amputação mamária pode repercutir negativamente na autoestima da mulher, na funcionalidade de seu corpo e em sua vida sexual. Nessa perspectiva, ressalta-se a importância da reabilitação dessas mulheres, a qual deve envolver o acompanhamento fisioterapêutico e psicológico. OBJETIVO: Avaliar as principais repercussões físicas e psicossociais da mastectomia, e identificar formas de remediar essas consequências. METODOLOGIA: O presente estudo é uma Revisão Integrativa da Literatura, elaborada a partir da busca dos descritores “Mastectomia”, “Reabilitação” e “Psicologia” nas bases PubMed, BVS e SciElo, que, após a aplicação dos filtros, resultou na análise 20 qualitativa de artigos científicos acerca das repercussões relatadas por mulheres pós-mastectomia. RESULTADO: Os artigos selecionados abordam os temas de saúde mental (50%), desempenho físico (50%), reabilitação e adesão ao tratamento (45%), imagem corporal (30%), linfedema (40%), comparação de técnicas cirúrgicas (15%) e prejuízos cognitivos (5%), relacionados ao pós-operatório das pacientes. DISCUSSÃO: O comprometimento da funcionalidade física foi observado nas pacientes mastectomizadas, muitas vezes associadas a dores que se desenvolvem após operação, bem como na deficiência crônica subsequente. No aspecto psicossocial, ocorrem problemas relacionados à distorção da autoimagem, baixa autoestima, ansiedade, depressão, alterações na amplitude de movimento e dores nos membros superiores, os quais podem estar associados a iatrogenias e a falta de planejamento cirúrgico efetivo. CONCLUSÃO: Apesar de ser um método efetivo no que tange à remoção de neoplasias malignas locais, a mastectomia é um procedimento agressivo, capaz de provocar fortes sequelas para as mulheres, não apenas por seu caráter mutilador, como também pelas demais alterações físicas e psicossociais que essa operação implica. Em função disso, o presente estudo denota a real necessidade de um planejamento assertivo, com o intuito de mitigar os prejuízos sofridos por mulheres pós-mastectomia, tanto no âmbito físico, como no emocional.
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