Distribuição da Esquistossomose no Sudeste Brasileiro: Estudo Retrospectivo Epidemiológico
Palavras-chave:
Esquistossomose; Epidemiologia Descritiva; Hospitalização; Saúde Pública.Resumo
Introdução: No Brasil, os casos confirmados de esquistossomose são endêmicos e fortemente ligados a fatores socioeconômicos e ambientais. Metodologia: Este estudo transversal, retrospectivo e descritivo, com abordagem quantitativa, analisou a distribuição geográfica e demográfica da esquistossomose na região Sudeste do Brasil, utilizando dados do DATASUS e IBGE, coletados no período de 2013 a 2023, e organizados no software Excel. Resultados: Foram registrados 33.853 casos confirmados, com maior taxa de incidência em 2013. Minas Gerais (n=24.985) apresentou um número 4,84 vezes maior de casos que São Paulo (n=5.163), que tem uma população 2,16 vezes maior. A doença atingiu todas as faixas etárias, com maior prevalência entre 20 a 39 anos (n=12.567) e entre 40 a 49 anos (n=11.233), sendo mais prevalente no sexo masculino (63,4%). Discussão: Fatores como o crescimento populacional, o impacto da pandemia da COVID-19 e a expansão de fenômenos sociais de favelização e marginalização socioeconômica contribuem significativamente para a elevada incidência da doença no sudeste brasileiro. Ademais, diversos estudos associam a prevalência da doença em homens adultos jovens e de meia idade a padrões de atividades laborais relacionadas à pesca e à agricultura, bem como à possível influência da história clínica passada na maior propensão à infecção por essa faixa etária. Conclusão: Apesar da redução progressiva na incidência, a doença persiste com números elevados na região Sudeste, especialmente em Minas Gerais, destacando a necessidade de direcionar pesquisas para essa área, devido à escassez de estudos epidemiológicos sobre esquistossomose na região.
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